Ser Mãe é puro instinto

Quando contemplo o sorriso puro e inocente de minha filha, o mundo se torna mais bonito e o meu fardo se torna mais leve. E besta, eu fico a me perguntar como pode duas células microscópicas, gerar tão sublime dádiva. Desde a descoberta da gravidez, experimentei tantas emoções das quais eu jamais havia sentido, e talvez a principal delas, tenha sido, medo.

Medo do porvir, se eu daria conta de criar um bebezinho em meio ao caos da pandemia ou se eu seria uma boa mãe para Rita. Com o tempo aceitei a maternidade em minha vida com mais amor, embora tenha pedido em alguns momentos que ela não existisse.

O puerpério foi complicado. Sem nenhuma experiência pregressa, tive de recorrer inúmeras vezes à internet, fóruns de mães e gestantes, para sanar as muitas dúvidas que eu tinha. Conversas com o pediatra foram elucidando minhas incertezas e com o apoio de meu esposo, pude encontrar paciência e ainda ter alegria a cada dia em saber que estou sendo a melhor mãe que a minha filha pode ter, que estou me empenhando para que o crescimento da minha Ritinha seja saudável e cheio de novas descobertas para ela e para mim, e acreditem, eu tenho aprendido e muito com essa criaturinha iluminada, principalmente a ter paciência e a respeitar o tempo de evolução dela.

E com o tempo, percebi que ser mãe é puro instinto. As pessoas podem até nos auxiliar dando informações baseadas em suas vivências, mas são as histórias e experiências delas e portanto não dá para situar nossa vida nessas experiências, embora possamos extrair o que pode ser bom e mesmo assim nem sempre se adequa aos nossos filhos, pois só nós mesmas sabemos qual o momento certo de medicar a nossa criança, alimentá-la, se o choro é de cólica ou outro motivo. Se vai precisar tomar formula ou se vai mamar até dois ou mais anos.

E esse instinto de lutar pela nossa vida e querermos nossa independência também vale para essa sociedade hipócrita que nos julgam como se fossemos descartáveis e servíssemos apenas para cuidar de casa e dos filhos, como se não houve uma mulher com sonhos e aspirações por trás da maternidade.

Não nascemos com o gene de mãe, pelo contrário, aprendemos muitas vezes com lágrimas e suor e ainda assim, é gratificante ver o quanto evoluímos e nos aperfeiçoamos através da vida deste novo ser que nos deu a missão e honra de ser mãe e hoje eu luto para que ela cresça independente e consciente de seu lugar no mundo, que a Rita possa viver dias melhores e seja uma mulher decidida e possa ter seus sonhos e objetivos alcançados.

Somos leoas, mulheres que permitiu que o amor e a vida brotasse de nossos úteros, e fomos moldando sentimentos que nos fortalece e nos dá a oportunidade de termos a cada dia, a felicidade de saber que o nosso amor é correspondido, mesmo que nossos bebês e crianças pequeninas não entendam ainda, a dimensão deste sentimento. Então não tema, mãe. Tudo tem sua hora para acontecer, e você saberá quando vai ser.

Faz exatamente um ano que a minha filha nasceu e me sinto mais forte para encarar quaisquer desafios que a vida me impuser, pois a minha família me dá o incentivo necessário para seguir em frente.

Confie em si mesma, ainda que o cenário seja o mais adverso possível. Até porque podemos encontrar calmaria na pior das tempestades, e teremos muitas boas histórias para contar, e as boas lembranças estarão conosco, nos fazendo entender que somos o melhor para nós mesmas e para os nossos filhos.

Comentários