Childfree: Segregando mães e seus filhos


Como mãe, entendo o quanto é difícil lidar com o desenvolvimento de uma criança, mental, físico e emocional. Birras, choro, colo e apego fazem parte da rotina de quem tem crianças pequenas em casa. Buscamos educa-las, para que elas possam viver bem em sociedade.

Porém nada justifica uma mãe privar-se de estar em determinado lugar, em detrimento do incômodo alheio.

Childfree é um movimento de origem estadunidense, cujo início se deu nos anos 70. Ele reivindicava o direito de não ter filhos, sob as justificativas de oferta de anticoncepcionais seguros, ajuda governamental ao invés do apoio dos filhos, entre outras reivindicações.

Porém nos dias atuais, a exigência é de que alguns estabelecimentos não permitam a entrada de crianças, sob a alegação de que não são obrigados a aturar birras e barulho dos filhos dos outros, com a ideia que se não quiseram ter filhos, não precisam ser importunados pelos filhos alheios, alegando também que muitos lugares tem espaço kids e que crianças são mal educadas e que os pais deveriam educa-las para não constranger tais indivíduos, como visto pela autora deste post, em postagens sobre o tema.

Partirei de alguns princípios básicos sobre estar em locais públicos com crianças:

Quaisquer locais públicos, seja um restaurante ou até mesmo um hotel é um local majoritariamente adulto. Quando se tem crianças, é porque elas estão com seus pais ou um adulto responsável.

Nem todas as mães são agraciadas com poder aquisitivo alto o suficiente para contratar uma babá, para deixar seus filhos enquanto saem para trabalhar, se divertir e até estudar. Sem falar na ausência de rede de apoio confiável, portanto os filhos precisam ser levados aonde sua mãe for. E não é simplesmente chegar na casa de um parente e “jogar” a criança lá.

Cada pessoa tem seu poder de escolha de ter ou não filhos, e cabe a mim como cidadã, considerar tal direito. Porém essas escolhas não devem interferir na vida de mulheres que decidirem ser mães, até porque respeito é uma via de mão dupla. E é um item essencial na vida em comunidade.

Se você não gosta de criança e qualquer que seja seus motivos, é uma questão sua, mas disseminar discursos ofensivos e odiosos é que não se pode admitir. E nem vou acelerar um amadurecimento em minhas filhas para elas se adequarem a espaços que não as aceitam, e outra coisa, eu assim como todas as mães, merecem momentos de lazer, mesmo com as nossas crianças. E elas merecem o mesmo respeito dispensados aos adultos e como mães, devemos fazer valer esse direito.

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