O parto de Bêlit: Minha experiência com o parto cesáreo
A experiência do parto de minha filha caçula foi frustrante, não vou negar que vê-la e tocá-la foi emocionante, mas me senti ultrajada. Meu direito de parir foi negado por pura conveniência médica, pois fui submetida a um parto cesáreo com a alegação de que minha filha poderia estar em sofrimento fetal, visto que a médica não sabia o que poderia estar acontecendo. Não levaram em conta meu plano de parto, e olha que falei que estava em posse do mesmo.
Cheguei na maternidade sentindo os movimentos do bebê, e no ultrassom feito na triagem, ela estava bem. Com movimentos e frequência cardíacas normais. E a indução fora recomendada pelo obstetra do meu pré-natal, por conta da hipertensão gestacional, controlada através de tratamento profilático com cálcio e AAS, afim de evitar a pré-eclâmpsia, o que poderia ser fatal para mim e para a bebê.
Fiquei muito arrasada e com isso, me senti culpada por não ter lutado para que a minha vontade fosse respeitada. Desencadeando uma crise depressiva ainda na maternidade, pois minha filha não usufruiu da golden hour, sua amamentação foi com fórmula por dois dias seguidos – Fiquei isolada no setor semi-intensivo para tratar a minha hipertensão que estava controlada durante toda gestação e longe da minha filha.
Ninguém me dava notícias de minha filha. A enfermeira compadecendo-se de minha situação, pois eu me despedacei em lágrimas, me emprestou o telefone dela e assim pude ligar para o meu esposo e saber como estava a bebê.
Foi uma sensação terrível de fragilidade e solidão, parecia não ter fim, mas foram dois dias, de tristeza
por não ter abraçado minha menina e sentir o calor de seu corpinho ou ver a cor de seus olhinhos de jabuticaba num primeiro momento. Porém meu coração se alegrou imensamente quando a peguei no colo, e com uma dor excruciante, mantive as forças para amamentar, coisa que quase desisti de fazer, por conta da depressão e da falta de consideração e respeito ao qual fui submetida.
Com o tempo fui acalmando meu coração, pois não valeria a pena cultivar esse sentimento nocivo. Me senti orgulhosa de ter passado por essa peleja, e digo mais: não estou condenando de forma alguma o parto cesáreo, tenho plena ciência da importância do procedimento, desde que seja realmente necessário, onde haja comprovação de que o bebê está em risco, aí pode salvar vidas. Mas ainda assim, não foi e nem seria futuramente minha opção de parto.
Não desisti de amamentar minha filha, por conta disso ela está crescendo forte e saudável e sou grata por isso. Mesmo tendo uma experiência ruim com meu parto, ainda assim aprendi importantes lições:
Lute pelo seu bem estar e o de seu bebê, gestante. Se informe, estude sobre os benefícios e riscos da via de parto escolhida. E não só isso, permaneça no controle de sua gestação, não permitindo que os médicos imponham suas “recomendações” logo de cara. Refaça exames, peça opiniões de outros médicos, dessa forma você não cai nas armadilhas de médicos cesaristas que tentam nos vender mil e um problemas, para nos submeter à cesárea. E muitas vezes sem necessidade alguma. E pode te ajudar a identificar violência obstétrica e se defender de procedimentos que podem por em risco sua integridade física e mental.

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